Análise – O Menino e a Garça é uma reflexão sobre luto e amadurecimento

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O filme narra a trajetória de Mahito, um jovem que enfrenta a perda de sua mãe nos desdobramentos pós-Segunda Guerra Mundial, levando-o a se mudar para o campo e residir com sua madrasta, a irmã mais nova de sua mãe. Descontente com sua nova realidade familiar e desafiado por situações de bullying, Mahito enfrenta dificuldades em lidar com seu processo de luto. Inspirado no livro “How do You Live” e em experiências pessoais de Hayao Miyazaki, o filme, que possui nuances autobiográficas, incita uma reflexão sobre a tendência de nos apegarmos ao passado, muitas vezes impedindo o florescimento de novas perspectivas na próxima geração.

O filme, com uma duração de 2 horas, apresenta um desenvolvimento lento em seu primeiro ato, o que pode dificultar a empatia pelo protagonista e a compreensão de sua dor devido à falta de clareza na representação das relações familiares entre o protagonista, sua mãe e seu pai.

Embora os filmes do Studio Ghibli nunca deixem claro o funcionamento dos mundos mágicos e fantasiosos de seus universos, este filme nos mantém distantes de compreender os objetivos de Mahito do início até a metade da narrativa.

Uma observação que destaco da minha sessão foi a presença significativa de pais acompanhados de crianças assistindo ao filme, possivelmente devido à natureza animada do conteúdo, apesar da classificação indicativa ser para maiores de 12 anos.

O filme não adota uma narrativa estritamente voltada para crianças, embora contenha elementos mágicos. O cerne do filme reside na despedida e no amadurecimento, abordando a ideia de saber como se desapegar, mesmo quando sentimos um forte vínculo afetivo. Além disso, o filme faz uma referência às obras de Miyazaki, cuja aposentadoria muitos relutam em aceitar, sempre ansiando por mais.

O filme também não esclarece explicitamente a presença de um antagonista. A dicotomia entre o bem e o mal permeia toda a narrativa, levando o próprio protagonista a questionar se é verdadeiramente digno de aceitar o destino que lhe é proposto.

É possível que uma parcela significativa do público não se identifique plenamente com o filme ou não compreenda sua proposta. Essa reação é comum, considerando que esta produção não despertou em mim o mesmo encantamento que outros filmes do estúdio. No entanto, é evidente que se trata de uma carta de despedida e de legado do autor Hayao Miyazaki para seu público.

Uma menção especial deve ser feita à dublagem em português do filme: Arthur Saleno entrega uma performance impecável como Mahito, Marcia Coutinho interpreta Natsuko com maestria, enquanto Ana Helena de Freitas e Guilherme Briggs se destacam em seus respectivos papéis.

O filme apresenta uma animação espetacular, como é habitual no estúdio. Fiquei particularmente encantado com uma cena específica no início do filme, em que Mahito corre entre as chamas.

O Menino e a Garça” pode não ser considerado para mim o melhor filme do estúdio, mas, sem dúvida, destaca-se como uma obra significativa. Sua mensagem ligeiramente ambígua ressoa profundamente, provocando uma reflexão implícita, tal como sugere o título original: COMO VOCÊ VIVE?

Será que devemos viver com o medo do fim ? Com medo do que estar por vir ? Que experiências vamos perder por medo de enfrentar nossas dores ?

O Menino e a Garça entra em cartaz dia 22 de fevereiro nos cinemas nacionais.

Essa review reflete apenas a opinião do admistrador do Portal Shonen e não todos os integrantes do Mode Otaku.

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